Ria Formosa
Queremos proteger o património ambiental
A cidade de Faro esteve desde sempre ligada à ria, vivendo com ela face a face. Pelas suas águas chegaram sucessivos povos - Tartessos, Fenícios, Gregos, Celtas, Cartagineses, Romanos, Visigodos, Bizantinos, Árabes, Normandos, etc. Uns fixaram-se e aqui viveram, passando por ciclos de evolução ou crise na decorrência normal do quotidiano; outros limitaram-se a pilhar e a saquear. A todos a ria oferecia com abundância as suas riquezas - o marisco, o peixe, o sal e o seu encanto...
"Então a ria de Faro, quando está espelhada e serena como um lago dormente, é um deslumbramento vista ao clarão desses ocasos gloriosos, jorrando uma luz offuscante que se estampa na paizagem e no espelho das águas em matizes da mais caprichosa phantasia, em tonalidades polychronicas n'um predomínio do ouro ardente, até que o horisonte se inflamma n 'um intenso rubor sanguíneo, transfigurando magicamente a vasta lagôa, como se as suas águas crystallinas, luminosas, se tingissem de viva purpura, ao mesmo tempo que, no mais intenso da cyclopica labareda, os barcos vogando ou estanciados na esbrazeada superfície, salamandras enormes vivendo no fogo, assumem um aspecto phantastico envoltos n'aquelle incendio limpido e inoffensivo (Júlio Lourenço Castilho, O Algarve, Porto, 1894, p. 13)."